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Meio Ambiente, Agronomia e o Oeste Catarinense.

No ano que passou tivemos uma atividade com os engenheiros agrônomos sócios da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Oeste de Santa Catarina sobre a legislação ambiental e os programas públicos, em que tive o prazer de coordenar.

O Cadastro Ambiental Rural é uma das etapas importantes para que a lei 12.651 de 2012, denominada informalmente com o novo Código Florestal Brasileiro, se efetive, para proteção da vegetação, para a exploração e controle de produtos florestais. Ao final da atividade, lembro-me bem, depois de termos verificado as informações mais basilares, a exemplo de o que são atividades de baixo impacto ou mesmo o que são áreas consolidadas, e também as discussões mais detalhadas e difíceis de entender como a proteção da dinâmica de biodiversidade que esse processo pressupõe fazer, fiz a seguinte pergunta que anotei para os escritos que agora exponho: “dado a condição ideal, de propriedades adequadas as normas de APP, RL, AUR, agrônomos e outros profissionais contentes com o trabalho de regularização ambiental feito, alcançaríamos uma condição ambiental satisfatória no contexto brasileiro, ou, ao menos, no oeste catarinense?”

Foram poucos os segundos de silêncio, calcados no raciocínio da questão, até que houve uma unânime expressão que negava a satisfação com o meio ambiente se fosse regularizado todas as condições da legislação colocada: faltava falar de solo, de água, de agrotóxicos. Talvez a pergunta estivesse na noção da questão da quadratura do círculo, quer dizer, pressupor que qualquer código florestal dê conta de uma condição ambiental satisfatória e da dinâmica das biodiversidades parece colocar demasiado senso de responsabilidade ao reino vegetal.

E me parece, de fato. A agronomia, a partir das lições da ecologia e das relações biológicas, mostra-nos a complexidade dos sistemas vivos, desde a interação molecular do pH na solução do solo até os megaprocessos de evapotranspiração que dinamizam mais ou menos a umidade do ar. Se, portanto, nas ciências da natureza não podemos apensar falar de biologia, como precisamos de física e química, e da aplicabilidade que a agronomia nos traz, mais adiante, temos que acertadamente replicar estes conhecimentos com as políticas públicas que vão se constituindo e executando.

A efetividade do cadastro ambiental junto com o programa de regularização futuro, trará uma possibilidade jurídica e prática de proteção da vegetação, de exploração e controle dos produtos florestais. Trazer este singelo passo a sua efetividade, legitima-nos, nós engenheiros agrônomos, à profissionalidade, mas provavelmente não considera e nem parece se preocupar com as urgências da perda de biodiversidade, que nos faz perder aquelas plantas, fungos, bactérias, animais silvestres que nem bola o damos, mas também nos faz perder aquelas vivências que buscamos na memória: da lavoura farta de todas as coisas que o mato com o trabalho nos trazem. Também urge as dinâmicas climáticas que catastroficamente nos atingem, quase que todo mês, fazendo esforços se irem aos rios, pelos ventos, pelas pedras brancas e geadas castigantes.

Se esse esforço profissional e a união agronômica a esse mutirão é singela, ao desafio nos entreguemos, ao menos pelo brio, para tornar este ambiente com mais potência de vida.

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